sábado, abril 18, 2009

Um pequeno testemunho

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De facto, nós cristãos, temos, ao longo da História sido muito responsáveis por várias atrocidades cometidas contra , não apenas judeus , mas contra até nós mesmos, ao ponto de que nos decidimos, por fim, virar para o exterior, para os mares desconhecidos, para que não nos desgastássemos a nós mesmos e assim todos empobrecessemos, mas fossemos à procura de riquezas de outros, mais fracos, que enriquessecem a todos ( os cristão, europeus, ocidentais). E aqui digo, desengane-se quem ache que isto acabou- as políticas injustas existem, e muitas, legitimadas por outros critérios , talvez algo cínicos,de legitimação. Por exemplo, nas economias de mercado e na exploração das riquezas, (dentro do Direito legalista ou mesmo fora dele), em países necessitados. Basta observar-se um pouco o que se passa na actualidade do mundo económico nas relações internacionais cujos sujeitos são países, nações, multinacionais, entre outros "senhores, donos do mundo". E o povo e a sua criançada pobre morre em frente a uma camara que transmite para os lares de famílias queixosamente abastecidas em gorduras saturadas e outros excessos de consumismo.
E o mais grave , é que temos muitos Lázaros pedintes à porta de casa, e pelos quais passamos e enrijecemos o coração egoísta que se auto-justifica com "razões desonestas" sem fim.
Eu já vi, um homem pedinte, sem um dos braços, sujo, a clamar baixinho à porta de um super-mercado. Com as lágrimas a escaparem-se-lhe dos olhos brilhantes com a sua mão estendida para quem entrava e ia saíndo e dizendo- "por favor, eu tenho fome". Enquanto que a imagem que eu via e lembro no rosto das senhoras , enfim, de classe média baixa, era de um embrutecimento, uma arrogância ou superioridade, um levantar dos olhos, um fechar dos ouvidos, um gemer de auto-justificação que incrimina ou humilha com desdém disfarçado o queixume que físicamente ouvem e desconsideram por todas as "razões" e mais algumas.
Não dou esmola à frente de ninguém, pois não quero tornar-me hipócrita ao fazê-lo, a não ser que não possa fazê-lo de outra forma. Também já apanhei mentirosos sujos, porcos, gordos preguiçosos, viciados na piedade alheia.
Por exemplo. uma sra, que pedia em frente ao metro com uma garrafa meio cheia de moedas, pela qual passei e decidi anunciar o Nome e entregar umas bolachas que trazia comigo .
Começou com uma ladaínha. Acreditei nela, ainda que retivesse a necessidade de saber se o que ouvia era ou não verdadeiro e sentido. Contou-me da sua doença, que não comia havia 2 dias, que estava com sede... etç. Gastei tempo, tendo já deixado "o que podia" em moedas, e considerava se lhe daria "o que não podia"- dinheiro para medicamentos, para os quais, se queixou de não ter dinheiro- e que "até não era muito" (argumento que empregou). Como dissera que não havia comido e como eu lhe perguntara se queria que eu fosse buscar-lhe água, fui à procura de um super-mercado para não ter de gastar muito, para comprar-lhe um pacote pequeno de leite, pois achei que seria melhor que trazer-lhe àgua do café- e assim queria fazer-lhe uma pequena surpresa. Demorei algum tempo para achar o super, que ainda por cima estava cheio e com uma fila cansativa- lembro-me de me sentir embaraçado com apenas um pacote pequeno de leite para pagar; mas não fazia intenção de gastar "o que não podia" sem ter a certeza de que não estava a ser explorado pela minha bondade e religiosidade.

Quando cheguei à entrada do metro, pus-me um certo tempo a a olhar para ela ao cimo dos degraus, sendo que ela não me via , pois estava de costas para mim sentada e lá embaixo. A razão que me levou a esperar foi para ver o que estava fazendo. Recolhia as moedas que tinha da garrafa para uma bolsa, mantendo somente umas poucas à vista. Foi então que decidi testar a sua sinceridade. Desci as escadas, dei-lhe o pacote de leite. (Acho que se sentiu surpreendida , não pelo leite para o qual esboçou um pequeno e quase imperceptível sorriso, antecedido por uma pequena reação de desvalor e emoção que lhe vi, mas pela minha vinda, pois certamente não esperava mais que eu lhe troxesse a água do café passado aquele tempo todo). Olhei para a garrafa e disse:

-" Só conseguiu isso?"
-"Sim, mais nada, desde manhã"- sendo que já era noite.
-"Mas não tem mais nada?"
-"Nadinha!"- reafirmava com tom de actriz desempregada.

E eu disse, entre algumas outras coisas:

-"Arrependa-se, pois você mentiu! Eu lhe vi recolher as suas moedas para a bolsa. Você vai para o inferno , temos falado do "Nome" e ainda assim ou, talvez por isso mesmo, julgou poder explorar-me."

Este bem eu poderia fazê-lo, mas tirei-o a um verdadeiro necessitado, sendo que eu mesmo, sou muito pobre.
Sem saber como reagir, escolheu dizer:

-"Quem, eu??- fazendo-se surpreendida, algo indignada e mesmo chocada. Mas eu via-lhe o olhar, um tantinho indignado sim, mas pela confrontação da verdade e do desmascaramento; alguns, muitos, senão todos, os desonestos, gostam de se sentir respeitados como honestíssimos ou pelo menos iguais a um honesto médio- são hipócritas. E via-lhe ainda o olhar triste, porque achado perdido...Este era um olhar verdadeiro, não para mim, mas para si mesma- envergonhada- do qual eu me apercebi, não porque ela o quisesse mostrar, mas porque não tinha mais como esconder-se em falsas sombras ilusórias.
E continuou, na sua senda ... na afirmação da mentira professada pelos lábios e pelo corpo actor... Continuou com o coração na negação da verdade.

Mas eu a avisei!... Ela foi alertada. Esta foi a minha melhor oferta para a sua alma. Espero que ainda, um dia, um momento, ela "se sinta". DEUS a possa salvar.

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Retirado de: http://myciw.org/forums/showthread.php?t=2341&page=6

1 comentário:

  1. olá Vitor.. quero te deixar um abraço mto graaande e agradeço pelo teu comentário e tua participação..
    mtos bjiihhns na paz de Jesus

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