quarta-feira, outubro 07, 2015

Ciganos 6- Em busca dum consenso real

Eu sou calon. Peço que me leiam, pois minha intenção não é defender a injustiça nem acusar ninguém de racismo.
 Compreendo muito bem quem se queixa; porque acreditem, minha vida dava uma mega-produção cinematográfica.
 Desde a luta pelos estudos, os conflitos em casa, o sofrimento por ser "otário" na escola, o desprezo e perseguição
no bairro... o insucesso no trabalho, a desorientação na vida e a incompreensão de como vejo o mundo tão sensível
para umas coisas e tão negligente e vil para outras, etc.... sou um cristo.
Mas lá está, não quero fazer de mim a vítima, o coitadinho, tal como assim o não desejam fazer aqueles que se expressam
 em queixas contra o "Cigano". Certamente quero fazer apenas saber, que sei o que é penar. E estou convosco nessas
questões, sou solidário e empático.
Saibam que eu mesmo sei que o Cigano, i.e, a nossa comunidade em Portugal, tem graves problemas de civismo e educação,
 cultura e ética, pois somos e fazemos tudo o que de muito se comenta; e como simpatizo com um ou outro comment
deixado, porque, sendo contra mim, é a favor de mim, pois amo a verdade acima da minha... "raça".
Eu sei do que precisa a minha "raça": uma direção, uma liderança que seja aceite e respeitada, com força de injunção não
 apenas coerciva, mas até mesmo coativa, pois a primeira está cada vez mais fraca uma vez que não se impõe dada a sua
 natureza. Claro, esta força teria de ser baseada a em sanções aceitáves, por sua vez, dentro do regime da nação pela
 qual estamos adotados- Portugal.
Pena é que os valores ciganos estejam cada vez mais pobres, mesmo dentro da nossa comunidade, pois se é verdade que era
 compreensível que antigamente, a nossa comunidade fosse preconceituosa e defensiva por causa do efetivo racismo e
perseguição moral e civil , e posto isso, se guardasse em copas preservando a sua moral e regras que acabavam
dentro da comunidade, hoje nota-se, que, pesa embora haja uma abertura para o mundo, devido a muitas mudanças
desde há 30 anos para cá, e isso seja muito positivo, há também, a perda do sal que mantinha a identidade da
comunidade, unida por causa dessa parte cultural que era a moral e as regras. É verdade, que alguns costumes antigos,
 como os gerados por preconceito, raiva e medo instalados pelos séculos, não fazem mais sentido, mas outros há que devem
 ser mantidos e são de uma razoabilidade universal. Esses, sendo guardados na redoma eram objeto de respeito e "estudo"
por todos, principalmente, nas figuras dos mais avançados de idade. Hoje, essa liderança, com força devido à mística e à
 inspiração nos sentimentos dos grupos sociais ciganos, esvai-se como "água entre os dedos". Novos valores? Não, antes a
 perda de identidade humana, antes mesmo de cigana. Dores sentidas pelo mundo que nos descaracteriza, a todos, nós,
portugueses e humanos.
"Ai de mim, que peregrino em Meseque"- diz o salmista.

Mas, então agora, interrogo:
Porque é que quando se trata de um caso em que há problemas com ciganos, se começa logo a desbafar a história de vida contra
 os ciganos? (E quero aqui novamente afirmar que sinto e sou solidário com as vossas aflições ).
Mas, porque é que se se trata de um caso, se não julga o caso em si?
Dou razão a que tenham que fazer algo para punir os "sem-vergonhas". Façam-no.
Mas cada caso é um caso, porque têm sempre de puxar os outros casos todos da vida para julgar, não apenas o caso, mas
 toda a comunidade cigana? Confunde-se o predicado/objeto com o sujeito! E isso leva-nos à frustração filosófica do
 ad hominem.

Agora, se se trata de examinar a comunidade e o que a perturba... ah! Nesse caso... deixei já uma introdução acima.



Viva a Justiça e a Verdade.

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